quarta-feira, 4 de novembro de 2015

EU ACREDITO EM MILAGRES



Nossa, quase dois anos sem vir aqui e tanta coisa aconteceu na minha vida!

Como já relatei em outros posts, estava em tratamento para lúpus. Quando recebi a notícia que minha alta seria em meados de dezembro de 2013, passei a sentir fortes dores nos períodos menstruais. Eram dores incapacitantes, eu só conseguia me levantar da cama à base de medicamentos fortes. E isso começou a se repetir todo mês. Fui pesquisar os sintomas e desconfiei de endometriose. Marquei consulta com minha gineco e ela solicitou uma ressonância magnética pois ultrassom dificilmente revela esse problema. E assim eu descobri que um novo problema habitava meu corpo.

Fui a um especialista, ele me indicou uma medicação de tratamento e marcamos uma videolaparoscopia para o final de novembro. Meu marido estaria viajando a trabalho e eu passaria nosso niver de casamento em repouso, mas eu tinha pressa, muita pressa, pois o lúpus poderia retornar a qualquer momento e eu teria de tratá-lo novamente, o que me impediria de engravidar. E assim foi feito. O médico me disse que se eu não engravidasse em 6 meses, deveria procurar ajuda médica para um tratamento de fertilidade porque a endometriose não tem cura, ela volta e tem de ser constantemente tratada e monitorada. Uma portadora dessa doença não pode menstruar, pois a menstruação "alimenta" a endometriose. Para isso eu deveria usar um anticoncepcional continuamente. Mas quem tem lúpus não pode ficar recebendo cargas de estrogênio no organismo porque pode piorar o caso. Um dilema na minha vida! Um dia terei de fazer histerctomia total e assim tentar me livrar da endometriose. Sim, tentar, pois nem isso é garantia que ela desapareça... Também recebi a orientação de minha gineco da mesma forma, ela me indicou uma das maiores especialistas em fertilidade aqui na minha cidade, me disse para já deixar marcada a consulta, pois ela era muito procurada, consultório sempre lotado. E assim eu fiz.

Passou o Natal, Janeiro, Fevereiro e nada... Todo mês uma frustração, muito choro, me sentia um lixo porque não conseguia dar um filho ao meu esposo, porque os problemas de saúde eram todos meus. Eu me ajoelhava no chão da minha sala e chorava aos pés de Deus pedindo misericórdia sobre minha vida. Era como se eu não tivesse o direito de ser feliz! Eu via o tempo correndo, o medo do lúpus ou da endometriose voltar e eu ter de recomeçar os tratamentos, voltar a engordar (cheguei ao manequim 48, sempre usei 42), perder cabelos, ficar cheia de espinhas, me desmarcar nas fotos que amigos me marcavam no facebook... Enfim, viver todo o terror novamente... Graças a Deus, meu marido estava ali, ao meu lado, assim como minha família, me dando forças, me incentivando, evitando tocar no assunto de filhos, netos etc.

Assim como muitas mulheres que tentam engravidar e não conseguem, ouvi muitas opiniões ignorantes de pessoas que conseguiram engravidar facilmente ou simplesmente nem tentaram ainda e não viveram essa dificuldade. "Relaxa que você consegue!", "Faça uma viagem com seu marido!", "Por que vocês não adotam?" Muito fácil falar, né? Uma vez publiquei um desabafo no meu facebook que foi compartilhado por várias amigas que estavam de saco cheio das "cobranças" dos outros. Nele eu falava que se um casal não tem filhos, não tem porque você perguntar o motivo. Ou eles ainda não querem no momento (e você não tem nada a ver com isso), ou eles não pretendem ter filhos (e você também não tem nada a ver com isso e nem vai mudar a opinião deles), ou eles possuem algum problema e estão em tratamento ou o problema deles não tem solução e eles podem até estar amadurecendo a ideia de adotar (e ao perguntar sobre filhos você pode estar "cutucando" uma ferida). Portanto, cuide da sua vida e espere o casal, por vontade própria, compartilhar com você o motivo.

Não, eu nunca pensei em adotar. Talvez se eu fosse até as últimas consequências e não obtivesse sucesso, eu pensasse nisso. Adoção é um dom, deve nascer no coração do casal, ser muito bem pensado e amadurecido. Não é uma caminhada fácil, é cheia de burocracias, às vezes decepções, e leva um certo tempo. Não deve ser feita para dar uma satisfação à sociedade nem muito menos os netos que seus pais tanto queriam. É uma decisão de muita responsabilidade e amor para encarar o que vier. Você deve ter na mente que a criança é sua sim, aconteça o que acontecer, mesmo não sendo seu sangue, é seu filho porque é você que está educando e cuidando dele. Não, eu não estava preparada (ainda) para isso.

E nas minhas orações eu não pedia a Deus um filho, eu pedia que, se não fosse da vontade dEle que eu tivesse um filho biológico, que ele me consolasse e arrancasse esse desejo do meu coração. Meu sonho, como o de muitas mulheres, não era apenas ser mãe, eu queria viver uma gravidez, ver a barriga crescer, sentir o bebê mexer dentro de mim, ver meu esposo e minha família curtindo minha barriga, enfim, viver tudo (tudo mesmo, bom ou ruim) que uma gravidez poderia proporcionar.

E todo esse turbilhão de emoções, esse sofrimento, me levou a me afastar de tudo que me machucava de alguma forma. Inventava mil desculpas para não participar de chás de bebês, me afastei de pessoas que me faziam mal, decidi ser egoísta mesmo, cuidar de mim, da minha vida, dos meus sonhos. Eu que sempre me envolvi com os problemas dos outros, sempre tentei ajudar, compreender, aconselhar, agora precisava de ajuda.

Em março voltei a sentir cólicas e me desesperei. Resolvi buscar ajuda na clínica de fertilidade que minha médica indicou. Já ao marcar, nos solicitaram vários exames, tanto para mim quanto para meu esposo. Fizeram uma varredura completa! Fora ultrassons e exames invasivos, eu tirei cerca de 18 tubos de sangue. Em abril, lá estava eu na clínica, com todos os exames em mãos. E ao entrar lá, eu vi que eu não estava sozinha. Vários casais, de novinhos a mais velhos, compartilhavam da mesma dificuldade. Fui tratada com muito carinho, me senti amparada, me enchi de fé! Ouvi as histórias de outras mulheres e isso me renovou! Meu esposo não podia me acompanhar nas consultas por causa do trabalho dele na época, fui a quase todas sozinha. Mas eu sabia que Alguém maior, o maior amor do mundo, estava ao meu lado, me segurando pela mão e me dizendo "Não tema, eu estou aqui para te dar toda a força que você precisa. Não desista, vai dar tudo certo, mas eu preciso que você faça a sua parte".

Então eu recebi a notícia que mais um problema habitava em mim: trombofilia. Eu tinha a mutação C677t, homozigota, um dos mais graves casos de trombofilia. Então isso, mais o lúpus e a endometriose, estavam trabalhando em conjunto me impedindo de engravidar. Eu precisaria fazer uso de algum anticoagulante. As clínicas te dão 3 opções de tentativas para engravidar: coito programado, inseminação artificial ou fertilização in vitro. Meu caso foi analisado e, por conta disso tudo e da minha idade (37 anos na época), a chance de engravidar utilizando um dos dois primeiros métodos eram remotas. Como eu tinha pressa e não podia perder dinheiro, optamos ir direto para a FERTILIZAÇÃO IN VITRO. E assim foi iniciado o processo.

Eu não tinha noção de como a caminhada da FIV (fertilização in vitro) era difícil. Eu achava que tomava uns remédios, colocava o embrião e pronto. Não, meu sofrimento ainda não tinha acabado... Precisei correr atrás de um bom hematologista para acompanhar a trombofilia, eu iria precisar tomar, diariamente, uma injeção de anticoagulante, a clexane. Uma medicação caríssima que os planos de saúde não cobrem, teria que solicitar através do Governo. Passei por duas médicas e fui super mal atendida, disseram que eu não iria conseguir as injeções e que teria que fazer uma poupança para comprar. Eu gastaria por mês cerca de R$ 1.200,00, isso porque minha dosagem era das mais baixas! E aí um anjo enviado por Deus (mais um, pois toda a equipe que me acompanhou foi formada por excelentes profissionais!), uma hematologista que também tinha trombofilia e também sofreu para engravidar, entrou na minha vida! Me recebeu com carinho e atenção, me explicou tudo direitinho e disse que sim, eu iria conseguir as injeções. No meu caso, apenas aspirina seria suficiente, mas eu sou alérgica, então só o clexane mesmo resolveria. Dois dias depois, sem que eu precisasse fazer nada, a clínica dela me avisa que meu plano de saúde iria cobrir a medicação! E foi assim, eu vendo a mão de Deus em cada passo que eu dava... Isso me enchia de esperança porque eu via que estava caminhando corretamente.

Toda vez que alguém me perguntava por filhos, eu falava que tinha vários problemas de saúde, estava fazendo um tratamento e pedia que essa pessoa orasse por mim. E uma grande corrente de orações se formou ao nosso redor. Me dá um nó na garganta só de escrever isso. O poder de Deus é algo imensurável! Tinha gente orando por nós em vários lugares do Brasil, do mundo! Amigos levaram nosso pedido para suas igrejas, seus grupos familiares, suas reuniões de oração. Muita gente, ao passar por um tratamento assim, prefere manter sigilo. Eu não, eu PRECISAVA me sentir amparada.

E começamos as medicações para estimular a ovulação e realizar a aspiração dos óvulos. Eu precisava ficar indo à clínica acompanhar a evolução através de ultrassom. Foram dias muito cansativos, de muita expectativa. A medicação era cara e mexia com o emocional e com o meu corpo. Eu sentia cólicas e tudo o que eu queria era que terminasse logo tudo aquilo. Eu trabalhava perto da clínica e, por muitas vezes, esse percurso foi feito a pé, chorando muito, orando, suplicando a Deus por forças. E nessas horas eu me lembrava de todo o apoio que estava recebendo, das orações de todos. Assim como passei a fazer parte de grupos do facebook sobre lúpus e endometriose, agora eu tirava minhas dúvidas e também encontrava apoio e conselhos em grupos sobre trombofilia e FIV. As medicações eram injetáveis e eu mesma aplicava. Meu esposo quando me viu gemendo e chorando na hora de aplicar, me disse que se eu não estivesse mais suportando tudo aquilo, eu poderia desistir, ele me apoiava, ele entendia. Não, eu não podia desistir! Já havia chegado até ali e não eram aquelas agulhas que me arrancariam meu sonho!

E a evolução dos óvulos deu certo! A médica ficou empolgada com minha produção, considerada muito boa para minha idade! Isso me animou bastante e me fez ver que valia a pena continuar! A aspiração foi realizada no final de Maio. Combinei no meu trabalho para dividir minhas férias em duas etapas de 15 dias porque eu iria precisar de repouso: a primeira para a aspiração e a segunda para a transferência dos embriões. Foram aspirados 19 óvulos, 14 estavam maduros, 10 foram fertilizados. A evolução era repassada pelo telefone. A cada dois dias, a embriologista da clínica me ligava para dar notícias. Quando eu via o número no visor do celular, eu gelava. Morria de medo de perder meus embriões, de pararem de evoluir. E no final restaram 6. Resolvi fazer uma pesquisa genética neles para descartar problemas e evitar frustrações com abortos. E foi ótimo, pois dos 6, dois tinham problemas e a gravidez provavelmente não vingaria. Meus embriões foram congelados e ficaram aguardando o dia da TEC (transferência de embriões congelados).

Passou Junho, Julho e chegou Agosto. Todo esse tempo eu cuidei da alimentação, mantive minhas sessões de pilates e fui ocupando minha cabeça para não pirar com tanta expectativa. Nesse meio tempo precisei fazer o “ensaio” da TEC. Foi muito, MUITO difícil. Meu útero é retrovertido e tanto isso quanto a anatomia do meu corpo dificultavam a localização do colo do útero para inserir o catéter da TEC. A médica disse que eu era um desafio para ela, mas que iríamos conseguir. Me pediu para perder uns quilinhos, fazer uma dieta à base de proteína e me deu outras dicas para termos sucesso. Saí da clínica chorando. Medo, muito medo de morrer na praia. Não era possível, tinha chegado até ali e no dia da TEC não daria certo? Força, foco e fé! Mais remédios, mais hormônios e recebi a maravilhosa notícia: meu endométrio estava pronto para receber os embriões. Decidimos transferir dois para termos mais chances de sucesso. Cinco dias antes da transferência, iniciei o clexane. Dolorido, difícil, mas eu sabia que teria de usar por toda a gestação e até um mês após o parto, então eu precisava me acostumar e ir testando os locais de aplicação até descobrir onde doía menos. E no final de Agosto fomos fazer a TEC. Meu esposo pensou em tudo, dirigiu com mais cuidado, separou um cd especial para irmos ouvindo. Um dia muito esperado, era praticamente o final de tudo, de todo o processo. Vimos nossos embriões no microscópio, nos emocionamos. Trocamos de roupa e fomos para a sala da TEC. Pelo monitor, vimos a hora exata que nossos embriões entraram no meu útero. O ensaio foi horrível, mas ajudou bastante para que a médica soubesse até mesmo quantos copos de água eu deveria tomar para a hora da TEC e foi super tranquilo. Ela disse: “coloquei na cama e cobri com o cobertor”.

Agora eles estavam aqui, dentro de mim, meus dois cristais com os quais eu deveria ter o maior cuidado do mundo. Me levantei da maca morrendo de medo que eles “escorressem” pelas pernas. Voltamos para casa, esposo dirigindo super devagar. Me deitei e fiquei de repouso absoluto por um dia. E fiz o máximo de repouso possível, passava a maior parte do tempo deitada na cama ou no sofá, tomava banho sentada, cuidei da minha alimentação. Aproveitei para ler bastante, principalmente a Bíblia. Também fiz muitas pesquisas na internet e interagi bastante no grupo de FIV do Facebook. Mas eu lia sobre os sintomas das outras meninas e via que eu não tinha NADA daquilo. Comecei a perder as esperanças... Algumas meninas faziam logo um teste de farmácia antes do dia marcado para o exame de sangue. Graças a Deus, eu consegui me segurar e não fiz também. Mas já tinha quase certeza que não tinha dado certo... O exame seria numa quarta-feira, no domingo eu disse a meu marido que não tinha mais esperanças. Ele ficou arrasado, ficou pesquisando sobre os sintomas e tentou me animar dizendo que nem todas as mulheres sentem que estão grávidas. Mas tantas precisam de várias tentativas para conseguir, por que comigo, com tantos problemas, conseguiria logo na primeira tentativa??

Chegou o grande dia do exame de sangue. Fui cedinho para o laboratório e nesse mesmo dia voltei para minha própria casa, até então eu estava de repouso na casa dos meus pais. Eu queria ficar sozinha. Queria receber a notícia (positiva ou negativa) sozinha e dividir primeiro com o meu esposo. A hora limite do resultado era 15:30. De instante em instante eu atualizava a tela do computador e nada... Meu marido ficava me ligando para saber e eu pedi a ele que não ligasse mais, pois aquilo estava me estressando. Positivo ou negativo, eu ligaria para avisar. Na hora marcada, liguei para o laboratório e me disseram que já estava lá, iriam atualizar o sistema. E assim o resultado apareceu. Eu filmei a tela na hora exata que eu abri e li o resultado, pois queria de alguma forma fazer uma surpresa para meu marido. E lá estava o inacreditável resultado: um super POSITIVO! Uma dosagem super alta, provavelmente gêmeos. Eu gritava e chorava feito uma doida: estou grávida! Estou grávida! Meu Deus, não acredito!! Obrigada, meu Deus!!



Enquanto isso, no trabalho do meu marido, todos aguardavam a grande notícia ao lado dele. Queriam filmar ele chorando, queriam comemorar. Liguei para ele e dei a grande notícia. Ele desabou em lágrimas. Fizeram uma grande festa, tiraram fotos (e aqui estou eu novamente com os olhos cheios de água relembrando tudo isso...). O chefe dele o liberou mais cedo para que pudéssemos comemorar juntos. Liguei para meus pais para contar a novidade. Postei no zapzap da família de meu marido o resultado do exame. Nossa, quanta felicidade para todos nós, quanta espera, como oramos, como intercedemos! Muita, MUITA gratidão a Deus! Um milagre havia acontecido na nossa família!



E meu esposo, agora papai, chegou em casa com um lindo arranjo de flores e um lindo cartão. Nos abraçamos e choramos muito, nosso maior sonho estava se realizando. Passou um filme na nossa cabeça de tudo o que vivemos até ali, valeu a pena cada sacrifício, valeu a pena o investimento, valeu a pena! Fomos jantar fora para comemorar e dividimos a notícia pelo zapzap com os amigos mais íntimos. Todo mundo vibrando muito, chorando conosco. Era a resposta de oração que eles tanto buscaram.



Final de setembro, primeiro ultrassom e lá estavam eles: GÊMEOS!! Muita, muita bênção de Deus, a obra completa de um Deus fiel e bondoso! Revelamos a grande bênção no facebook e recebemos lindas mensagens. Gente dizendo que estavam todos grávidos conosco e que o sonho não era só nosso. Sabíamos de todo o trabalho que teríamos, de como dois bebês de uma vez só mudariam MUITO nossa vida, mas era uma felicidade imensa!






Minha gravidez, apesar do alto risco, correu tranquila. Não tive enjôos, não inchei quase nada, cheguei até 38 semanas. Fui acompanhada pela ginecologista, hematologista, nefrologista, reumatologista, cardiologista e nutricionista. Engordei apenas 7kg. Por conta dos meus problemas, precisamos fazer a cesárea, não dava para esperar por um parto normal. E deu tudo certo! Hoje eles estão conosco, nosso sonho, nossos milagres, nosso casal de gêmeos: Tito e Ester. Nasceram em Maio, já estão com 6 meses e são a razão de nossas vidas, a alegria da família!



O que posso dizer aqui é: não deixe de sonhar, de acreditar. Entregue nas mãos de Deus, confie! Se não tiver de ser, Ele vai te consolar e te mostrar outros caminhos. Se tiver de ser, ele vai te mostrar o caminho a seguir. Esqueça as pessoas negativas, gente que não tem nada de bom para comentar. Se junte a quem te coloca pra cima, te faz bem, te dá apoio. Força, foco e fé!

Eu acredito em milagres e você?


Que Deus te abençoe!

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